HÁ MUITAS sensações envolvidas numa balada de surf. Todo o ritual de juntar a galera, amarrar as pranchas na capota da caranga e sair em busca das ondas com o som rolando, as histórias repartidas, os momentos na areia passando parafina, a adrenalina durante e depois de uma boa sessão... E finalmente a paz que transborda ao assistir a um pôr-do-sol ao lado da gata, Jack Johnson brotando das caixas acústicas do carro e preenchendo o ambiente. O cotidiano do surfista não dispensa o combustível proporcionado por um confiável carro, capaz de levá-lo até a Conchinchina, se preciso, desde que lá estejam quebrando as ondas da vida.
Desde que se formaram as primeiras gerações de surfistas no Brasil, anos 1950, Rio de Janeiro, e depois nos anos 1960, em São Paulo, surfistas como Rico de Souza (RJ) e Thyola (SP) e seus amigos partiram para desbravar a costa — e os carros da Volkswagen sempre estiveram entre os preferidos, pela confiabilidade, economia e coragem ao enfrentar areiões e lama. O surfista é um explorador por natureza: já nos anos 1960, com o nascimento das revistas de surf nos EUA, era instigada a busca por ondas perfeitas, em lugares cada vez mais inacessíveis.
No Brasil, só as praias mais populosas eram surfadas: Copacabana e Arpoador no Rio, Pitangueiras no Guarujá, Itararé em São Vicente. Aos poucos, esses aventureiros começavam a sentir o incrível potencial dos picos ao longo da costa.