Nos anos 1960, rave mesmo era ir a Interlagos conferir o ronco dos motores
A famosa curva S do Senna ainda não fazia parte da história de Interlagos. Na década de 1960, o grande nome do automobilismo nacional era Chico Landi, primeiro brasileiro a pilotar um Fórmula 1. Então, o circuito paulistano pegava fogo com as provas de longa duração. As 24 Horas, as 12 Horas e as 500 Milhas faziam a alegria dos maníacos por velocidade.
Parece loucura passar a madrugada inteira em um autódromo. Mas as 24 Horas de Interlagos atraíam milhares de espectadores de todo o país, que vinham de mala e cuia acompanhar a corrida — que consistia em quase 360 voltas. “O pessoal acampava nos barrancos em volta do circuito. Do autódromo dava para ver as barracas”, recorda Miguel Crispim, que trabalhou durante anos no preparo dos veículos para competições. Em 1960, pela primeira vez as 24 Horas foram disputadas exclusivamente por veículos nacionais.
Os Alfa Romeo dominaram a prova e garantiram os três lugares do pódio. Não foi diferente
em 1961 e 1966: Alfa de novo na cabeça. A história começou a mudar em 1970, quando surpreendeu a todos um VW TL 1600 um Volkswagen pudesse chegar entre os três primeiros. Era uma marca sem tradição no automobilismo brasileiro”, conta Fausto Dabbur, responsável por guiar o TL número 10 ao segundo lugar do pódio.
O Opala de Bird e Nilson Clemente ficou em primeiro lugar, e a terceira posição com Ugo Galina e Jayme Silva, ao volante de Alfa Romeo JK. Para a vice de Dabbur e Maluf ficar mais pomposa, eles lembram: largaram do último lugar, atrás de 51 duplas, e, depois de uma hora de corrida, já estavam na décima posição. “Nosso carro atingiu uma velocidade média de 116 quilômetros por hora!”, entusiasma-se Dabbur.