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Gustavo Dal Ri,
da Shmitte Bier: “Sim,
novos sabores são
possíveis”
Eduardo Krueger,
da Bierland: “Juntos, já
conseguimos empatar
com Kaiser e Nova Schin”
Gerhard Beutling,
da Sudbrack: “Vamos
diminuir custos sem
perder qualidade”
Rupprecht Loeffler,
da Canoinhense: “O médico me disse para eu tomar dois litros
por dia”
 
 
 

As microcervejarias, fenômeno mundial — só nos EUA há cerca de 1.200 — formam um universo surpreendente. Caia nas estradas do Sul para conhecer as melhores cervejas artesanais do país, perfeitas para este inverno

“DEPOIS de ver os exames, o médico perguntou quanta cerveja eu tomava por dia. Respondi que era um litro. Ele mandou aumentar para dois”, comemora Rupprecht Loeffler. Aos 88 anos, Loeffler segue produzindo cerca de mil litros da bebida alcoólica mais popular do mundo todo o mês. Quinta geração de cervejeiros originários da Bavária — onde a fábrica fundada pela família ainda existe —, o filho de alemães faz cerveja como há 70 anos. O moedor para o malte é de madeira.

Os tachos, de cobre. Os barris, de madeira também. Para interromper a fermentação e conservar, Herr Loeffler improvisou um tanque sobre fogões a lenha, em que um banho-maria pasteuriza a cerveja. A Jahú, uma pilsen com sabor acentuado de lúpulo, a adequadamente chamada Mocinha, pilsen suave, a Nó de Pinho, de tipo stout, e a malzbier Canoinhense são vendidas no bar da própria fábrica, em Canoinhas (SC), onde o proprietário passa os dias a prosear e brindar com os clientes. “O que não vendemos, a gente bebe aqui mesmo”, brinca.

Loeffler segue o Reinheitsgebot, lei alemã de 1516 que determina o uso apenas de malte de cevada, água, lúpulo e fermento para a produção da bebida. Em 1881, após a descoberta das leveduras, o fermento foi incluído entre os ingredientes. Daí vêm o sabor diferente da cerveja artesanal e suas propriedades saudáveis. De acordo com cada vez mais pesquisas, o consumo de “pão líquido” de boa qualidade pode ser tão saudável quanto o de vinho para o corpo e a cabeça. E sem culpa, porque outra pesquisa recente provou que o hábito de consumir a bebida nada
tem a ver com o aumento da barriga.

De fato, a cabeça é um ótimo instrumento para verificar a qualidade da cerveja. Com 25 anos de experiência em uma das grandes, o alemão Gerhard Beutling, mestre-cervejeiro da Sudbrack, explica que o processo de fermentação gera substâncias conhecidas como álcoois superiores, que devem ser eliminados. Dependendo da levedura utilizada, isto é impossível.
“Pode-se sentir isso muito mais no cheiro do que no sabor. Mas você percebe no dia seguinte — na cabeça”, afirma Beutling.

Ele frisa que considera boa a qualidade da bebida produzida pelas grandes empresas no Brasil, porém... “é um produto popular”. Em outras palavras: a adição dos famosos “cereais não-maltados”, ou, simplesmente, de xarope de milho, serve para tornar a bebida mais suave ao paladar — mas principalmente para diminuir o custo. Duas condições para fazer sucesso entre a maior parte dos consumidores nativos. “Se tu tiras a personalidade da cerveja, desagrada ao menor número de pessoas possível. Mas também não agradas muito a ninguém”,
reflete o cervejeiro da Schmitt Bier, Gustavo Dal Ri.

     
 

Confira mais das microcervejarias do sul e de sua produção de louras, morenas e ruivas geladas, na edição impressa da Revista V número 12.