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Clarah averbuck* precisava levar um papo com a pomba-gira. Para se ver com ela, foi à festa no terreiro. Estava todo o mundo lá

Enquanto eles giravam vestindo aquelas roupas, sacudindo os braços para a frente e para trás ao som constante dos tambores, eu só queria saber de uma coisa: cadê a Pomba-Gira? Eu ouvia falar de Ogum, Oxóssi, Oxum. Eu ouvia falar de todo mundo. Mas eu só queria saber onde estava a Pomba-Gira. Eu precisava levar um papo com a Pomba-Gira. Um papo sério. Não era nenhum pedido para trazer meu amor de volta em três dias, nem amarração, nem desapego, nem desfazer trabalho, nem nada dessas coisas. Também não queria apresentar nenhuma daquelas oferendas que cheiravam divinamente bem, vindas da cozinha, feitas por uma tia que cozinhava exclusivamente para Eles enquanto eu salivava com apenas um almoço mirrado no estômago.

O negócio era o seguinte: estava desconfiada que a danada andava usando meu corpo quando eu bebia e me entorpecia demais. Era a única explicação. Não era eu, era ela. Um dia tive essa epifania. E fui lá procurar a moça para esclarecer as coisas e pedir educadamente, será que ela poderia parar de usar meu corpo para a devassidão?

     
 

Leia na íntegra a crônica de Clarah Averbuck na edição impressa da Revista V número 25.